Eurípides viveu, aproximadamente, entre 480 e 406 a.C. Nasceu em Salamina e morreu em Pela, na Macedônia. Pouco se sabe a respeito de sua vida. Casado duas vezes, teria o costume de escrever e meditar em completo isolamento, numa gruta em frente ao mar. Venceu quatro vezes o festival de teatro ateniense.
Ao contrário de Sófocles, que foi o dramaturgo preferido por seus contemporâneos, Eurípides nunca desempenhou qualquer atividade política; contudo, em suas tragédias, a preocupação política é quase uma constante.
Eurípides passou os últimos anos de sua vida na Macedônia, na corte do rei Arquelau, onde foi recebido com honrarias. Segundo a tradição, teve uma morte trágica: teria sido despedaçado, acidentalmente, pelos cães de caça do rei.
Temas e personagens
As peças de Eurípides enfocam situações marcadas por tensões emocionais violentas, mostrando homens e mulheres dominados por paixões ou dilacerados por impulsos conflitantes. Para alguns estudiosos, esse dramaturgo chegou mais perto da vida cotidiana do que Ésquilo e Sófocles.
O teatro de Eurípides é marcado por questionamentos que enfrentam a religião e a moral tradicionais, demonstrando uma vigorosa independência intelectual e, quase sempre, escandalizando seus contemporâneos. Ele soube mesclar o amargor de suas reflexões sobre o destino dos seres humanos à admiração pelo heroísmo e pela natureza.
Em sua disposição para discutir todos os aspectos da vida humana, esse dramaturgo reflete a preocupação fundamental de todos os grandes escritores: o homem. Eurípides ataca a família não porque esta se oponha ao Estado, mas porque ela violenta a liberdade individual. Ele analisa, assim, o homem sozinho, com sua razão, seu sofrimento, seus pensamentos. O homem, desde que tenha liberdade para agir, não é mais um instrumento da vontade dos deuses, mas responsável por seus atos. Consciência e arrependimento surgem, dessa forma, como as conseqüências naturais da liberdade de agir.
Mas Eurípides também tratou do amor em suas diferentes formas: o amor conjugal, o amor materno, o amor arrebatado. E criou personagens femininas inesquecíveis. Ao contrário dos homens, em geral desagradáveis e de caráter fraco, as mulheres de Eurípides são nobres, ternas, piedosas - e freqüentemente sacrificam-se para salvar o marido, os filhos ou a pátria.
Dentre as 17 tragédias e o drama satírico que chegaram até nós, duas peças são as mais importantes: Ifigênia em Aulis, de forte lirismo, e As Bacantes, a tragédia na qual Eurípides estuda as limitações da razão humana, avessa aos mistérios que transcendem o mundo material, e condena os excessos da religião.
Sua peça mais popular, no entanto, talvez seja Medéia, a esposa traída que, para vingar-se do marido infiel, mata sua rival e os próprios filhos. Em Hipólito, uma de suas tragédias mais amargas, o protagonista, depois de salvar sua família, sofre um acesso de loucura e assassina o pai, a esposa e os filhos.
Eurípides influenciou uma série de escritores: Sêneca, Racine, D'Annunzio e Sartre. E, através de Sêneca, podemos encontrar traços de Eurípides em Calderón e Shakespeare
Principais obras de Euripides
Alceste (438 a.C., segundo prêmio)
Medeia (431 a.C., terceiro prêmio)
Os Heráclidas (c. 430 a.C.)
Hipólito (428 a.C., primeiro prêmio)
Andrômaca (c. 425 a.C.)
Hécuba (c. 424 a.C.)
As Suplicantes (c. 423 a.C.)
Electra (c. 420 a.C.)
Héracles (c. 416 a.C.)
As Troianas (415 a.C., segundo prêmio)
Ifigênia em Táuris (c. 414 a.C.)
Íon (c. 413 a.C.)
Helena (412 a.C.)
As Fenícias (c. 410 a.C., segundo prêmio)
Orestes (408 a.C.)
As Bacantes e Ifigênia em Áulis (405 a.C., póstumas, primeiro prêmio)
Tragédias incompleta
As peças abaixo chegaram até nós de forma fragmentada; algumas consistem apenas de um punhado de linhas, embora alguns fragmentos sejam tão extensos que é possível uma reconstrução tentativa 3
Telephus (438 aC)
Cretans (c. 435 aC)
Stheneboea (antes de 429 aC)
Bellerophon (c. 430 aC)
Cresphontes (c. 425 aC)
Erechtheus (422 aC)
Phaethon (c. 420 aC)
Wise Melanippe (c. 420 aC)
Alexandros (415 aC)
Palamedes (415 aC)
Sisyphus (415 aC)
Captive Melanippe (412 aC)
Andromeda (412 aC junto com Helena, dele)
Antiope (c. 410 aC)
Archelaus (c. 410 aC)
Hypsipyle (c. 410 aC)
Philoctetes (c. 410 aC)
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