
Em 1941, participa do 1º Congresso de Poesia do Recife, lendo o opúsculo "Considerações sobre o Poeta Dormindo". Em 1942 presta concurso público. Neste mesmo amo publica sua primeira coletânea de poemas, "Pedra do Sono", onde predomina uma atmosfera vaga de surrealismo e absurdo. Depois de se tornar amigo do poeta Joaquim Cardoso e do pintor Vicente do Rego Monteiro, transfere-se para o Rio de Janeiro.
Durante os anos de 1943 e 1944, trabalhou no Departamento de Arregimentação e Seleçãode Pessoal do Rio de Janeiro. Em 1945 publica seu segundo livro "O Engenheiro", custeado pelo empresário e poeta Augusto Frederico Schmidt. Em 1947 ingressa na carreira diplomática que o levou a Barcelona, Londres, Sevilha, Marselha, Genebra, Berna, Assunção, Dacar, entre outras cidades.
Em 1950, publicou o poema "O Cão Sem Plumas", a partir de então começa a escrever sobre temas sociais. Em 1956 escreve o poema "Morte e Vida Severina", que foi levado ao Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), em 1966. Musicada por Chico Buarque de Holanda, foi um sucesso de público. O poema narra a trajetória de um retirante, Severino, que para livrar-se de uma vida de privações no interior, ruma para a capital. Na cidade grande o retirante depara-se com uma vida de dificuldades e miséria.
João Cabral de Melo Neto foi casado com Stella Maria Barbosa de Oliveira, com quem teve cinco filhos. Casou pela segunda vez com a poetisa Marly de Oliveira. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 15 de agosto de 1968, tomou posse em 6 de maio de 1969. Em 1992, começa a sofrer de cegueira progressiva, doença que o leva à depressão
A cultura espanhola, que o poeta conheceu a fundo quado viveu em Barcelonae Sevilha, deixou muitas marcas na poesia de João Cabral. Foi eleito membro da academia em 15 de agosto de 1968, e empossado em 6 de maio de 1969, recebido por Múcio Leão. Ocupou a cadeira 37, antes ocupada pelo jornalista Assis Chateaubriand com uma importância grande na Literatura Brasileira.
Em 1994, a editora Nova Aguilar publicou em volume único a obra completa do escritor.
Características literárias de João Cabral de Melo Neto
João Cabral de Melo neto inaugurou um novo modo de fazer poesia em nossa literatura. A essência de sua atividade poética mosta a tentativa de desvendar os elementos concretos da realidade, que se apresentam como um desafio para a inteligência do poeta. Sempre guiado pela lógica, pelo raciocínio, seus poemas evitam análise e exposição do eu e voltam-se para o universo dos objetos, das paisagens, dos fatos sociais, jamais apelando para o sentimentalismo. Por isso, o prazer estético que sua poesia pode provocar sobretudo de uma leitura racional, analítica, não do envolvimento emocional com o texto.
Essa características levaram a crítica a ver na obra de João Cabral uma "ruptura com o lirismo" ou a considera sua expressão poética como "antilírica".
Principais obras de João Cabral de Melo Neto
Pedra do Sono, 1942
O Engenheiro, 1945
O Rio, 1954
Psicologia da Composição, 1947
O Cão Sem Plumas, 1950
Morte e Vida Severina, 1956
Uma Faca Só Lâmina, 1956
Quaderna, 1960
Dois Parlamentos, 1961
Terceira Feira, 1961
Poemas escolhidos, 1963
A Educação Pela Pedra, 1966
Museu de Tudo, 1976
A Escola das Facas, 1980
Agreste, 1985
O Crime na Calle Relator, 1987
Sevilha Andando, 1989
Agreste, 1985
Prêmios Literário
Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo, em 1954.
Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, em 1955.
Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro, em 1993.
Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da obra.
Prêmio da União Brasileira de Escritores pelo livro "Crime na Calle Relator", 1988
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