
Uma nova análise de rochas lunares, feita por cientistas alemães, deu fôlego a uma antiga teoria que tenta explicar de onde veio a Lua. O planeta Terra se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos. Estima-se que a Lua não seja muito mais nova que isso. Há tempos, acredita-se que ela tenha se originado a partir de uma colisão da Terra com um planeta misterioso, mas dúvidas persistiam. Um novo estudo, baseado na análise de rochas lunares, reforça essa hipótese.
Acredita-se que a Lua tenha surgido a partir do impacto de dois proto-planetas – a Terra, quando esta ainda estava tomando forma, e um segundo planeta, mais ou menos do tamanho de Marte, conhecido como Theia. A Lua seria o resultado dos muitos destroços que se soltaram desse choque. Essa teoria foi batizada como Hipótese do Grande Impacto e explica, por exemplo, porque o satélite é tão pobre em substâncias voláteis, que evaporam rapidamente, como a água. Elas teriam se desprendido, lançadas no espaço pela violência da colisão.
Mesmo assim, os cientistas ainda têm dúvidas quanto a validade dessa teoria. A análise química da superfície lunar também fornece evidências para refutá-la. Segundo o modelo formulado para o Grande Impacto, a Lua deveria ser composta 70% pelo planeta Theia e 30% por Terra. A maioria dos planetas do Sistema Solar têm composições químicas muito específicas e diferem entre si. Essas diferenças deveriam existir também entre a Lua e a Terra, mas os dois corpos são muito semelhantes. Há grande coincidência na concentração de elementos isótopos. Segundo a teoria do Grande Impacto, essas semelhanças deveriam ser menores.
Coube a equipe liderada por Daniel Herwartz, da Universidade Göttingen, na Alemanha, tentar responder essa questão. Foi ele o primeiro a encontrar diferenças nos isótopos da Lua e da Terra, em quantidade suficiente para sustentar a teoria do Grande Impacto.
Os cientistas alemães decidiram analisar as taxas de concentração de dois isótopos – o oxigênio-16 e o oxigênio-17. Taxas de concentração de isótopos de oxigênio tendem a variar bastante de planeta para planeta.Os cientistas do mundo todo faziam suas análises a partir de rochas lunares encontradas na Terra, que aqui chegaram na forma de meteoritos. O problema: elas chegavam aos laboratórios contaminadas por oxigênio terrestre.
A equipe de Herwartz preferiu usar amostras colhidas por astronautas da Nasa durante as missões Apolo 11, 12 e 16. Descobriram que elas continham muito mais oxigênio-17 do que oxigênio-16, uma diferença de concentração muito maior do que a verificada na Terra. “As diferenças são pequenas, mas elas estão lá”, disse Herwartz. “Agora nós temos uma ideia da composição de Theia”.
Segundo ele, a Lua deve ser composta por 40% de Theia. Esse planeta misterioso, segundo Herwwartz, é semelhante aos meteoritos conhecidos como condritos: “Eles têm uma composição muito, muito parecida com a Terra. Uma composição semelhante explicaria não termos achado diferenças entre os isótopos de Theia e da Terra até aqui”.
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