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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ursos polares estão ficando sem gelo no Ártico, diz estudo

Foto divulgada pela União Europeia de Geociências mostra urso polar testando a resistência de uma camada de gelo fina no Ártico (Foto: MARIO HOPPMANN / EUROPEAN GEOSCIENCES UNION / AFP)
Os ursos polares estão ficando sem a camada de gelo indispensável para sua sobrevivência em 19 regiões do Ártico - adverte um estudo publicado nesta quarta-feira (14).
Devido às mudanças climáticas, a banquisa (água do mar congelada) que se forma nas regiões polares está derretendo mais cedo na primavera e se formando mais tardiamente no outono, afirmaram pesquisadores da revista "Cryosphere", da União Europeia de Geociências (EGU).
Entre 1979 e 2014, o Ártico perdeu de 7 a 19 dias de gelo por década nessas 19 regiões, revelaram imagens de satélite.
Calcula-se que a população total do urso polar seja de apenas cerca de 25 mil indivíduos."Devido à dependência (dos ursos) do gelo marinho, as mudanças climáticas constituem a principal ameaça para sua sobrevivência", alerta o relatório.
Convertidos em símbolo dos estragos das mudanças climáticas, esses grandes carnívoros permanecem a maior parte do tempo na banquisa, onde caçam, descansam e se reproduzem.
Quando o gelo derrete, voltam à terra firme e sobrevivem apelando às suas reservas de gordura durante períodos que estão se tornando cada vez mais longos.
Além disso, os ursos polares têm de nadar distâncias cada vez maiores antes de encontrar um lugar para se instalar. Esses animais dependem da camada de gelo principalmente para caçar focas, sua presa favorita, visto que têm dificuldades para agarrá-las enquanto nadam.
O Ártico está aquecendo duas vezes mais rápido do que o restante do planeta sob o efeito das mudanças climáticas geradas pelas emissões de gases do efeito estufa. Esses gases resultam em grande parte da combustão de energias fósseis pelos seres humanos em um planeta superpovoado.
Os ursos polares podem perder um terço da sua população até meados do século XXI, advertiu em 2015 a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que por enquanto os classifica entre as espécies "vulneráveis".

domingo, 28 de agosto de 2016

O espetacular patrimônio natural da Mata Atlântica

Com seis grandes biomas – Floresta Amazônica, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Pampas –, o Brasil é o campeão mundial da biodiversidade. O país abriga 13% da vida do planeta e, segundo estimativas, é habitado por algo entre 170 mil e 210 mil espécies conhecidas de plantas, animais e microrganismos. Essa cifra pode chegar a dois milhões, afirmam alguns especialistas.
É como se fosse uma grande rede de supermercados a céu aberto, capaz de oferecer alimentos e materiais para artesanato, móveis, decoração e construção civil, além de substâncias químicas, desenvolvidas em bilhões de anos de evolução, aproveitáveis nas indústrias farmacêutica e de cosméticos, por exemplo. A Mata Atlântica é uma das mais importantes lojas dessa cadeia, que já dá lucros de forma sustentável, fornecendo substâncias para novos remédios e cosméticos.
Em seus remanescentes (restam apenas 12,5% de sua área original), ela ainda apresenta uma riqueza natural das mais importantes do mundo. Ali estão mais de 20 mil espécies conhecidas de plantas, das quais 8 mil são endêmicas (isto é, só encontradas ali); 270 de mamíferos; 992 de aves; 197 répteis; 372 anfíbios; e 350 peixes. Por isso, a Mata Atlântica é considerada um hotspot mundial, ou seja, uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta, condição que levou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a designá-la Reserva da Biosfera Mundial.
Um exemplo de empresa que trabalha para transformar esse patrimônio natural em produtos como medicamentos ou cosméticos é a Extracta Moléculas Naturais, que funciona no Polo de Biotecnologia do Rio de Janeiro (Bio-Rio), instalado no câmpus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela foi fundada em 1998, pelo médico pesquisador Antonio Paes de Carvalho, com o objetivo de encontrar na biodiversidade brasileira moléculas naturais, desconhecidas dos químicos, que tenham atividade biológica sobre alvos de interesse farmacêutico.

Pioneirismo nacional

Em 2004, a Extracta foi autorizada pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), do Ministério do Meio Ambiente, a coletar material genético da biodiversidade brasileira – no caso, de plantas – com fins comerciais. “Fomos a primeira empresa brasileira a obter essa licença”, diz Isabella Paes de Carvalho, gerente de Marketing e Novos Negócios.
“Desde então, já fizemos cerca de 230 expedições em busca de amostras vegetais, que incluíram incursões na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica.” Com isso, a empresa tem hoje quase 12 mil extratos de plantas da biodiversidade brasileira com potencial para fabricar remédios, dos quais pelo menos 600 já foram testados e apresentaram propriedades terapêuticas que podem interessar à indústria farmacêutica.
Entre as descobertas dos pesquisadores da Extracta está a Kielmeyera aureovinosa, rara flor de pétalas brancas e miolo amarelo encontrada na região serrana do Rio de Janeiro. Dela foi isolada a aureociclina, substância química natural que, em laboratório, mostrou ter ação antibiótica contra a superbactéria Staphylococus aureus, resistente à meticilina e responsável por infecções hospitalares. A partir da substância, a empresa desenvolveu uma pomada, ainda em testes, que também combate a bactéria Proprionibacterium acnes, causadora da acne.
Também se deve à biodiversidade da Mata Atlântica o primeiro remédio totalmente nacional, que chegou ao mercado em 2005. É o anti-inflamatório Acheflan, cujo princípio ativo foi retirado da Cordia verbenacea, arbusto conhecido popularmente por erva-baleeira e comum na floresta ao longo do litoral brasileiro, muito usado em forma de chá e infusões.
O produto consumiu mais de 20 anos em pesquisas e US$ 5 milhões em investimentos até seu lançamento. Ele foi desenvolvido em parceria com três universidades, a Federal de Santa Catarina (UFSC) e as paulistas USP e Unicamp. Cinco anos depois, a Extracta lançou o calmante Sintocalmy, produzido a partir de princípios ativos retirados da passiflora, planta cujo fruto é o maracujá.

Preços e prazos menores

A preocupação com o meio ambiente não é, na verdade, a principal razão pela qual a indústria farmacêutica se volta para as florestas em busca de moléculas e princípios ativos que possam dar origem a novas drogas. A questão é econômica. É muito mais rápido e barato aproveitar as substâncias químicas que as plantas e outros organismos produzem sem cobrar nada do que desenvolver sinteticamente uma molécula com propriedades terapêuticas. Sintetizar uma nova droga demora, em média, cerca de 15 anos e custa entre US$ 250 milhões e US$ 880 milhões. Já um remédio feito a partir de uma substância extraída de uma planta leva de cinco a nove anos para ficar pronto e custa de R$ 4 milhões a R$ 50 milhões.
Mais do que a indústria farmacêutica, o setor de cosméticos investe pesadamente na exploração da biodiversidade, sobretudo no Brasil. Grandes empresas do mundo retiram das florestas do país diversas substâncias, como óleos essenciais, extratos, resinas, manteigas e argilas, que entram na composição de perfumes, sabonetes, cremes, xampus, condicionadores, loções, batons e maquiagens. É um mercado que vem crescendo, em grande parte por causa do número cada vez maior de consumidores preocupados com o meio ambiente.
A Natura é um exemplo de empresa que usa a biodiversidade para fabricar cosméticos e perfumes. Para isso, ela lançou em 2000 o Programa de Certificação de Ativos, com o objetivo de conhecer e garantir que os insumos vindos da flora brasileira sejam extraídos de modo ambientalmente correto.
Essa iniciativa sustenta a linha Natura Ekos, que produz xampus, condicionadores, sabonetes, esfoliantes, hidratantes, desodorantes e óleos com base em ativos encontrados na Mata Atlântica e em outros biomas brasileiros. Entre as plantas da floresta das quais são retirados os principais ativos da linha estão cacau, camomila, macela-do-campo, maracujá, mate-verde e pitanga.
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Biodiversidade rentável

Coleta do fruto da juçara: difusão de manejo sustentável
Coleta do fruto da juçara: difusão de manejo sustentável
A biodiversidade da floresta é explorada por grandes empresas e vários projetos comunitários, liderados em geral por organizações não governamentais (ONGs). Um exemplo é o Projeto Juçara, criado pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (Ipema), de Ubatuba (SP), em parceria com outras ONGs, que formam a Rede Juçara. A meta é divulgar e expandir o uso dos frutos da palmeira que dá nome ao projeto, para produção de polpa alimentar e uso na culinária; e consolidar sua cadeia produtiva, por meio da difusão do seu manejo sustentável para geração de renda em comunidades quilombolas e caiçaras.
Já o WWF Brasil, ONG da Rede WWF, aposta no ecoturismo e em outras formas de negócios sustentáveis. Atualmente, ela desenvolve dois projetos, um dos quais é o Caminho da Mata Atlântica, trilha com cerca de 1.200 km que interligará os parques ecológicos e unidades de conservação ambiental na Serra do Mar, entre Santa Catarina e Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, 180 km já estão implantados.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Misteriosas manchas fluorescentes iluminam o mar de Hong Kong

A costa de Hong Kong foi tomada recentemente por misteriosas e fascinantes manchas de azul fosforescente. Apesar da beleza, esse fenômeno é preocupante e potencialmente tóxico, segundo biólogos marinhos.
O brilho é um indicador da proliferação de um organismo unicelular chamado Noctiluca scintillans e o fenômeno é apelidado de "mar brilhante". A Noctiluca scintillans parece uma alga. Mas, tecnicamente, pode funcionar como animal ou como planta.
Esse tipo de proliferação é desencadeado por poluição agrícola, que pode ser devastadora para a vida marinha e para a pesca local, de acordo com a oceanógrafa da Universidade da Georgia Samantha Joye , que mostrou à Associated Press fotos da água brilhante.
'Magnífico, mas lamentável'
 Brilho fosforescente azul é provocado por organismo unicelular chamado Noctiluca scintillans (Foto:  AP Photo/Kin Cheung)Brilho fosforescente azul é provocado por organismo unicelular chamado Noctiluca scintillans (Foto: AP Photo/Kin Cheung)
"Essas fotos são magníficas. É apenas extremamente lamentável que a misteriosa e majestosa tonalidade azul seja criada pela Noctiluca", afirmou Samantha em um e-mail nesta quinta-feira (22). De acordo com ela e outros cientistas, este é parte do problema que está crescendo no mundo todo.
Noctiluca é um organismo formado por uma única célula que come plâncton e é comido por outras espécies. O plâncton e a Noctiluca se tornam mais abundantes quando o nitrogênio e o fósforo de escoamentos agrícolas aumentam.
Diferentemente de outros organismos similares, a Noctiluca não produz diretamente substâncias químicas que posssam atacar o sistema nervoso ou outras partes do organismo.
Mas estudos recentes mostram que ele pode estar ligado a eventos que foram nocivos à vida marinha local. O papel da Noctiluca tanto de presa como de predador pode aumentar o acúmulo de toxinas provenientes de algas na cadeia alimentar, de acordo com o oceanógrafo R. Eugene Turner, da Universidade do Estado da Louisiana.
Apesar de fascinante, brilho pode ser sinal de poluição  (Foto: AP Photo/Kin Cheung)Apesar de fascinante, brilho pode ser sinal de poluição (Foto: AP Photo/Kin Cheung)