sábado, 29 de dezembro de 2012

classificação dos seres vivos questões vestibular

Artigo sobre classificação dos seres vivos com questões de vestibular

Classificação dos seres vivos

Critérios

Os primeiros estudos de sistemática basearam-se essencialmente na morfologia externa dos organismos. No entanto, estudos posteriores recorreram a aspectos morfológicos e fisiológicos internos, e mais recentemente a dados paleontológicos, embriológicos, nutricionais, reprodutivos, etológicos, citológicos, genéticos e bioquímicos. Dos principais critérios usados, atualmente, na classificação destacam-se:

Morfológicos – Critérios que continuam a ser utilizados embora devam ser cuidadosamente aplicados devido à existência de analogias ( formas semelhantes provenientes de antepassados diferentes – evolução convergente), homologias (formas diferentes provenientes de um antepassado comum – evolução divergente) ou, ainda metamorfoses (organismos da mesma espécie que ao longo do seu desenvolvimento apresentam características muito diferentes).
Nestes critérios fazem-se estudos baseados na simetria corporal, onde se verifica a presença de planos de simetria, como é ocaso da simetria bilateral, radial ou assimetria.

Embriológicos – Quanto mais semelhanças os seres vivos apresentarem, durante o desenvolvimento embrionário, maior será o seu grau de parentesco.

Tipo de nutrição – Os organismos podem ser classificados em autotróficos
( produtores do seu próprio alimento) ou heterotróficos ( dependentes do alimento fabricado pelos produtores).
No caso dos heterotróficos podem fazer ingestão, seguida de uma digestão intracorporal ( intracelular – protozoários; ou extracelular - animais); ou uma digestão extracorporal seguida de absorção (ex: fungos).

Tipo de reprodução – As estratégias reprodutoras dos organismos podem manifestar-se de forma assexuada ou sexuada. Na reprodução sexuada os seres podem ser subdivididos em organismos dióicos ( cada indivíduo apresenta apenas um sexo) ou monóicos ( o mesmo indivíduo apresenta dois sexos).

Citológicos – O estudo da organização estrutural das células ( procarióticas ou eucarióticas) constituintes dos organismos, o seu número (unicelular ou pluricelular), assim como o seu grau de especialização, fornecem dados importantes para comparar estádios de evolução biológica entre seres vivos e determinar o seu grau de parentesco.

Cariológicos - O estudo do número e estrutura dos cromossomas – Cariótipo – permite agrupar os organismos. Todos os organismos da mesma espécie apresentam a mesma estrutura, informação e número de cromossomas. Contudo há espécies diferentes que apresentam igual número de cromossomas, embora com outra informação genética.

Bioquímicos – A análise comparativa da composição química dos organismos (ácidos nucleicos e proteínas) permite estabelecer relações de parentesco (filogenia) entre eles.
Os estudos bioquímicos são dos mais fiáveis para o estudo e classificação dos seres vivos.

Taxonomia de Lineu

O método de classificação dos seres vivos foi proposto por Carl Von Linné, no português, Lineu. Ele era um médico e botânico sueco que reuniu os seres vivos em cinco grupos taxonômicos: reino, classe, ordem, gênero e espécie. Após sua classificação, foram acrescentados mais outros dois grupos: Filo ou Divisão e Família.

As espécies semelhantes se agrupam no mesmo gênero. Gêneros semelhantes são agrupados em uma mesma família. Famílias semelhantes são agrupadas numa mesma ordem, que são agrupadas em classes, depois em mesmos filos ou divisões e, por último, em reinos.


A espécie é a unidade taxionômica fundamental e agrupa seres vivos que possuem as mesmas características cromossômicas (n.º de cromossomos), anatomia semelhante, fisiologia e desenvolvimento embrionário idênticos entre si, além de um critério fundamental: o cruzamento de animais da mesma espécie deve originar um novo animal fértil. O exemplo mais comum para se ilustrar o que é uma espécie é o cruzamento entre um jumento e uma égua. Ambos, aparentemente preenchem todas as características acima e poderiam ser da mesma espécie, entretanto de seu cruzamento nasce o burro que é um animal infértil e, portanto, o jumento e a égua não podem ser considerados como sendo da mesma espécie.

Algumas espécies de plantas conseguem cruzar com plantas de espécies diferentes e originar um descendente fértil, entretanto, elas não são consideradas da mesma espécie por isso.

Espécies que apresentam algumas características comuns são agrupadas em gêneros e os gêneros, por sua vez são agrupados em famílias. Várias famílias formam uma ordem. Claro que conforme se avança na classificação das espécies em sentido crescente (espécie à gênero à família…) a diversidade vai aumentando e as diferenças entre os seres também.

Várias ordens de animais com características predominantes semelhantes podem ser agrupados em classes. Um exemplo é a classe dos insetos que agrupa animais como as abelhas, as baratas e as moscas, todas de espécies diferentes. As classes, por sua vez, fazem parte dos filos e os filos, são agrupados em reinos que são a classificação mais genérica dos seres vivos.

A área que estuda a taxonomia e a filogenia é chamada de Sistemática.


Conhecendo um pouco da Sistemática
De acordo com as teorias evolutivas, as espécies foram definidas como:

“Espécie é um agrupamento de populações naturais, realmente ou potencialmente intercruzantes, produzindo descendentes férteis e reprodutivamente isolados de outros grupos de organismo”.

Esse conceito é aceito para os organismos de reprodução sexuada e ele significa que as espécies separadas naturalmente pelas condições geográficas não se cruzam. Em contrapartida, se forem colocadas no mesmo local artificialmente, se cruzam gerando descendentes férteis.

Os organismos cuja reprodução é assexuada são agrupados de acordo com suas características morfológicas, físicas e genéticas.  Porém, a definição de espécie apresentada acima, apresenta limitações e por isso foram dadas outras definições de espécies.
Atualmente, a diversidade de seres vivos surgiu dos processos de evolução, entendidos como anagênese (quando muda ao longo do tempo, gerando as novidades evolutivas: mutações, recombinações genéticas através da seleção natural, onde os mais fortes são aqueles que sobrevivem) e cladogênese (quando há rupturas numa população original gerando duas ou mais populações que se separaram, podendo cada uma ter sua própria história evolutiva).
A sistemática se preocupa em entender esses processos evolutivos das espécies e classificá-las de acordo com essa evolução. A partir disso, é possível formular hipóteses, confiáveis ou pouco confiáveis.

As duas escolas de classificação: Evolutiva e Filogenética
Duas escolas baseadas em princípios evolutivos surgiram para classificação dos seres vivos:
  • Sistemática Evolutiva;
  • Sistemática Filogenética ou Cladística.

A grande discordância exiEvolução dos Gatosstente é que a evolutiva não possui um método para testar hipóteses, sendo ela superficial. Já a escola filogenética possui um método capaz de estabelecer melhor as relações evolutivas entre diferentes grupos. Eles utilizam vários aspectos, e como os números de dados são grandes, programas de computador são utilizados. Há diferença entre as duas escolas. Mas a filogenética, a preferida dos pesquisadores, que de acordo com o caráter da espécie, analisa a condição primitiva que ocorre em um ancestral, condição derivada que surge a partir da primitiva.
As análises filogenéticas são feitas por meio de cladogramas que são diagramas que mostram as relações entre os seres vivos. Eles são complexos e envolvem grande número de caracteres. A escola filogenética, também definiu espécie como sendo um grupo ou populações definidas por uma ou mais condições derivadas, constituindo o menor agrupamento taxonômico reconhecível. Essa definição se aplica a todos os organismos de reprodução assexuada ou sexuada e pode ser usada tanto para espécies recentes, quanto para fósseis.
Evolução constante
A sistemática é a área da Biologia que mais cresce, pois com os avanços surgem dados desconhecidos anteriormente. Isso muda a classificação dos seres vivos. Há divergências nesses estudos, pois com o passar dos dias outras hipóteses e espécies vão sendo descobertas.

Regras de NOMENCLATURA

Podem referir-se, como regras básicas de nomenclatura:

· A designação dos taxa é feita em língua latina, pois sendo uma língua morta, mantém-se imutável, não esta sujeita a uma evolução. Os cientistas de todo o mundo utilizam a língua latina para designar os grupos taxonómicos.
· Lineu desenvolveu um sistema de nomenclatura binominal para designar as espécies. O nome da espécie consta sempre de duas palavras latinas ou latinizadas: a primeira é um substantivo escrito com inicial maiúscula e corresponde ao nome do género a que a espécie pertence; a segunda palavra, escrita com inicial minúscula, designa-se por epíteto específico ou restritivo específico, sendo geralmente um adjectivo. Assim, por exemplo, o nome científico da abelha é Apis mellifera. O restritivo específico identifica uma espécie dentro do género a que pertence.
· A designação dos grupos superiores à espécie é uninominal, isto é, consta de uma única palavra, que é um substantivo, escrita com inicial maiúscula.
· O nome da família dos animais obtém-se acrescentando a terminação –idæ à raiz do nome de uma dos géneros. Nas plantas, a terminação que caracteriza a família é –aceæ. Há, no entanto, algumas excepções.
· Quando uma espécie tem subespécies, utiliza-se uma nomenclatura trinominal para as designar, isto é, escreve-se o nome da espécie seguido de um terceiro termo designado por restritivo ou epíteto subespecífico.
· Os nomes genéricos, específicos e subespecíficos devem ser escritos em tipo de letra diferente da do texto corrente.
· À frente da designação específica deve escrever-se, em letra do texto, o nome ou a abreviatura do nome do taxonomista que, pela primeira vez, atribuiu aquele nome científico é espécie considerada. Canis familiaris Lin. significa que foi Lineu o responsável por esta designação cientifica para o cão.
· Pode citar-se a data da publicação do nome da espécie, sendo essa data colocada a seguir ao nome do autor, separada por uma vírgula.
Existem associações de taxonomistas que oficializam os nomes científicos dos organismos de acordo com as respectivas regras. Os nomes são assim os mesmos para todo o Mundo, o que facilita a comunicação científica.

Questões sobre classificação dos seres vivos

1) As categorias sistemáticas, ou taxas, colocadas ordenadamente, em graus hierárquicos, são:
a) reino, divisão, classe, família, ordem, gênero, espécie.
b) reino, classe, divisão, ordem, família, gênero, espécie.
c) reino, divisão, classe, ordem, família, gênero, espécie.
d) reino, classe, divisão, família, ordem, gênero, espécie.
e) reino, divisão, classe, família, ordem, espécie, gênero.

2) (UFES) Têm maior grau de semelhança entre si dois organismos que estão colocados dentro de uma das seguintes categorias taxonômicas:

a) classe.      b) divisão.       c) família.              d) gênero.               e) ordem.

3)  (Unirio - RJ) Lineu, em 1735, publicou um trabalho, no qual apresentava um plano para classificação de seres vivos. Nele estavam propostos o emprego de palavras latinas e o uso de categorias de classificação hierarquizadas. Deve-se também a Lineu a regra de nomenclatura binominal para identificar cada organismo. Nesta regra, entre outras recomendações, fica estabelecido que devemos escrever:

a) em primeiro lugar o gênero, depois a família.
b) em primeiro lugar o gênero, depois a espécie.
c) em primeiro lugar a espécie, depois o gênero.
d) em primeiro lugar a espécie, depois o filo.
e) em qualquer sequência, gênero e filo.

4) (UFSC) A partir dos seus conhecimentos sobre as regras de nomenclatura zoológica, responda: Com qual das fêmeas citadas abaixo o macho de Anopheles (Nyssorthynchus) triannulatus trianulatus pode cruzar e produzir descendentes férteis, ao longo de várias gerações:

a) Anopheles (Nyssorthynchus) aquasalis.
b) Anopheles (Nyssorthynchus) trianulatus davisi.
c) Anopheles (Nyssorthynchus) albitarsis domesticus.
d) Anopheles (Nyssorthynchus) brasiliensis.
e) Anopheles (Nyssorthynchus) intermedius.

5) (Unifesp-SP) -―Em uma área de transição entre a mata atlântica e o cerrado, são encontrados o pau-d’arco (Tabebuia serratifolia), a caixeta (Tabebuia cassinoides) e alguns ipês (Tabebuia aurea, Tabebuia alba, Cybistax antisyphillitica). O cipó-de-são-joão (Pyrostegia venusta) é também freqüente naquela região.
Considerando os critérios da classificação biológica, no texto são citados

a) 3 gêneros e 3 espécies
b) 3 gêneros e 4 espécies
c) 3 gêneros e 6 espécies
d) 4 gêneros e 4 espécies
e) 4 gêneros e 6 espécies 

6) (Unisinos-RS) Um aluno, ao observar os seres vivos microscópicos de um charco, verifica a grande quantidade de seres eucariontes unicelulares, coloniais ou não, e, com a ajuda da bibliografia, consegue identificar um microrganismo do gênero Euglena, que apresenta características tanto animais como vegetais, sendo autotróficos ou heterotróficos dependendo da presença ou ausência de luz e deslocando-se através do movimento de um flagelo.
Considerando o sistema de Classificação de Whittaker (1969), o aluno concluirá, pelas características observadas, que tal organismo pertence ao Reino:

a) Animalia        b) Metaphyta        c) Protista            d) Monera        e) dos vírus 

7) (ANÁPOLIS) Dois seres vivos pertencentes à mesma ordem são necessariamente:
a) da mesma raça;
b) da mesma espécie;
c) do mesmo gênero;
d) da mesma classe;
e) da mesma família.

8)  (CESGRANRIO) Se reunirmos as famílias Canidae (cães), Ursidae (ursos), Hienidae (hienas) e Felidae (leões), veremos que todos são carnívoros, portanto, pertencem à(ao) mesma(o):
a) espécie       b) ordem     c) subespécie        d) família        e) gênero

9) (UNISA) Com base nas regras de nomenclatura, indique a alternativa incorreta:
a) Homo sapiens sapiens;
b) Trypanosoma Cruzi;
c) Rana esculenta marmorata;
d) Rhea americana americana;
e) Anopheles Nyssurhynchus darlingi.

10) (UFPA) O homem e o gorila pertencem à mesma ordem. São primatas. Pertencem também, obrigatoriamente:
a) à mesma espécie;
b) ao mesmo gênero;
c) à mesma espécie e ao mesmo gênero;
d) ao mesmo: reino, filo e classe;
e) ao mesmo reino e à mesma espécie.

Gabarito:

1) C  2) D  3) B  4) B  5) C  6) C  7) D   8) B    9) E  10) D



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6 comentários:

  1. no 9 da letra b tem que ser assim: Trypanosoma cruz , e não do jeito que está

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    1. Não anonimo , pq há uma exceção, quando o epípeto deriva de um nome próprio( que é o caso da letra b da 9) ele pode ser escrito com letra maiúscula.

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  2. Nao conseguir distinguir os tres generos da questao 5 pode me esclarecer

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    1. Ola Roberta, explicação:
      Tabebuia: existe só 1 gênero desse tipo .
      Cybistax: Só existe 1 Gênero " " "
      Pyrostegia: Só existe 1 Gênero " " "

      Já as especie vc conta quantas existem com letra minusculas lá, total de especie: são 6. Resposta correta é á C - 3 Gênero e 6 especie
      .

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  3. Oi, Queria só alertar um "aparente erro" na questão 9 , a alternativa errada segundo vocês é a E. eu não descordaria , porém por gentileza reavalie a opção B cujo a espécie esta escrita em letra minúscula .
    qualquer coisa :
    https://www.facebook.com/luisfelipe.monteiro.7

    Obrg :)

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    1. Nesse caso, Cruzi faz menção ao médico brasileiro Oswaldo Cruz, portanto faz referência a uma pessoa, e o nome da espécie poderá ser escrito com letra inicial maiúscula ou minúscula.

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